DEMOCRACIA E SENTIDO
“O único sentido das íntimo das coisas,
É elas não terem sentido íntimo nenhum.” Alberto Caeiro; O Guardador de Rebanhos.
Sílvio Berlusconi, 1º Ministro Italiano, pretendia incluir nas listas do seu partido para as eleições europeias, vinte e cinco modelos e beldades, de reconhecido valor segundo o próprio. No entanto os seus atributos deviam-se menos aos méritos intelectuais e mais à generosidade da mãe natureza. É um lugar - comum, que a mãe natureza, o que dá em atributos físicos, retira em aptidões intelectuais. É este o sentido das coisas. O próprio Sílvio, como deve ser tratado pelas beldades, confirma este lugar – comum, na justificação que adianta para tal pretensão: é preciso alegrar o Parlamento Europeu, com rostos bonitos e corpos esbeltos, não vão os ilustres deputados morrer de tédio, quando cuidam dos assuntos sérios da governação europeia.
Penso eu e pensa muita gente, que a Democracia, como governo do povo, exige a participação de todos e mais ainda dos melhores; exige o concurso das ideias de todos e mais ainda das melhores ideias para a governação. O conjunto dos cidadãos, só podem participar elegendo quem os represente. É este o sentido das coisas da democracia ou da Res (coisa)Pública. Era, mas parece não o ser mais. O que parece estar claro na cabeça do Sr. Berlusconi, é que o Parlamento Europeu, não passa de uma passerelle de maquilhagens políticas retocadas nos bastidores, onde pontificam os países mais poderosos economicamente. Os nossos representantes, bem pagos e mimados na bela cidade de Estrasburgo, limitar-se-iam a um espectáculo encomendado. E já que tem que haver espectáculo, que ele seja vistoso, garboso e sexy. O pior de tudo isto, é que vamos ser chamados a dar o nosso assentimento a isto. O pior desta Europa, é que está a reproduzir em grande escala, as perversidades das democracias nacionais: distanciamento entre eleitor e eleito, falta de representatividade do eleito, escassez de mecanismos de participação dos cidadãos.
Foi a esposa de Sílvio Berlusconi quem fez a denúncia. Não foi a oposição italiana ou europeia. Foi a amantíssima que se manifestou, quiçá despeitada e alertada pela prática usual de troca de favores na esfera política. O exercício do poder democrático, provoca uma erosão natural nos partidos do poder, justificada por ideias de governação que perderam validade. A novidade dos tempos, é que as oposições também entraram em crise, incapazes de gerarem ideias alternativas. Só assim se explica que a ideia espúria do 1º Ministro Italiano, tenha tido oposição vinda do outro lado do seu leito conjugal. O sentido das coisas, leva-me a pensar, como imperativo de cidadania, que em vez de sabermos eleger um governo capaz, devemos saber eleger uma oposição capaz.
No Quénia a oposição lança mão de uma nova arma política: a recusa das mulheres à assistência sexual aos maridos. Quem sabe!
Horácio Morais
“O único sentido das íntimo das coisas,
É elas não terem sentido íntimo nenhum.” Alberto Caeiro; O Guardador de Rebanhos.
Sílvio Berlusconi, 1º Ministro Italiano, pretendia incluir nas listas do seu partido para as eleições europeias, vinte e cinco modelos e beldades, de reconhecido valor segundo o próprio. No entanto os seus atributos deviam-se menos aos méritos intelectuais e mais à generosidade da mãe natureza. É um lugar - comum, que a mãe natureza, o que dá em atributos físicos, retira em aptidões intelectuais. É este o sentido das coisas. O próprio Sílvio, como deve ser tratado pelas beldades, confirma este lugar – comum, na justificação que adianta para tal pretensão: é preciso alegrar o Parlamento Europeu, com rostos bonitos e corpos esbeltos, não vão os ilustres deputados morrer de tédio, quando cuidam dos assuntos sérios da governação europeia.
Penso eu e pensa muita gente, que a Democracia, como governo do povo, exige a participação de todos e mais ainda dos melhores; exige o concurso das ideias de todos e mais ainda das melhores ideias para a governação. O conjunto dos cidadãos, só podem participar elegendo quem os represente. É este o sentido das coisas da democracia ou da Res (coisa)Pública. Era, mas parece não o ser mais. O que parece estar claro na cabeça do Sr. Berlusconi, é que o Parlamento Europeu, não passa de uma passerelle de maquilhagens políticas retocadas nos bastidores, onde pontificam os países mais poderosos economicamente. Os nossos representantes, bem pagos e mimados na bela cidade de Estrasburgo, limitar-se-iam a um espectáculo encomendado. E já que tem que haver espectáculo, que ele seja vistoso, garboso e sexy. O pior de tudo isto, é que vamos ser chamados a dar o nosso assentimento a isto. O pior desta Europa, é que está a reproduzir em grande escala, as perversidades das democracias nacionais: distanciamento entre eleitor e eleito, falta de representatividade do eleito, escassez de mecanismos de participação dos cidadãos.
Foi a esposa de Sílvio Berlusconi quem fez a denúncia. Não foi a oposição italiana ou europeia. Foi a amantíssima que se manifestou, quiçá despeitada e alertada pela prática usual de troca de favores na esfera política. O exercício do poder democrático, provoca uma erosão natural nos partidos do poder, justificada por ideias de governação que perderam validade. A novidade dos tempos, é que as oposições também entraram em crise, incapazes de gerarem ideias alternativas. Só assim se explica que a ideia espúria do 1º Ministro Italiano, tenha tido oposição vinda do outro lado do seu leito conjugal. O sentido das coisas, leva-me a pensar, como imperativo de cidadania, que em vez de sabermos eleger um governo capaz, devemos saber eleger uma oposição capaz.
No Quénia a oposição lança mão de uma nova arma política: a recusa das mulheres à assistência sexual aos maridos. Quem sabe!
Horácio Morais
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